Jornal de Negócios por C-Studio

O futuro instala-se no Alentejo data-uk-cover

Empresas portuguesas podem acelerar transformação digital

Estudo da KPMG revela a importância que a tecnologia low-code tem nos projetos de transformação digital. Redução de custos e de atrasos são os principais benefícios identificados.


01 fev 2024

A massificação da utilização da inteligência artificial generativa, a eclosão de conflitos na Europa e no Médio Oriente e o surto inflacionista global, com a subida das taxas de juro, são exemplos da instabilidade e imprevisibilidade que marcam as perspetivas económicas e de negócio. A aceleração da transformação digital e da volatilidade nas condições económicas e geopolíticas estabelece enormes desafios aos decisores e aos responsáveis tecnológicos das empresas, confrontados com mudanças constantes nas necessidades de negócio.

Neste contexto, a KPMG acabou de apresentar os resultados de um inquérito que incidiu sobre 715 empresas de uma grande variedade de setores na Europa, Médio Oriente e África, e que é um ponto da situação sobre as respostas tecnológicas das empresas a este ambiente marcado pela volatilidade. O foco principal do estudo incide sobre a utilização de tecnologias low-code como resposta às novas condições de negócio. Para Rui Gonçalves, partner de Technology Consulting da KPMG Portugal, “a conclusão mais relevante é a de que há muito por fazer no que toca à necessidade de transformação digital e modernização aplicacional nas empresas na região EMEA. Existe ainda um potencial muito grande de desenvolvimento nesta área, apesar da aceleração a partir dos anos de pandemia”.

Desenvolvimento tecnológico mais eficiente e confiável

Segundo este responsável, “o low-code está a atrair cada vez mais a atenção das empresas e é evidente que muitas tendências importantes que moldam o consumo atual e futuro da tecnologia serão endereçadas com o low-code”. Efetivamente, e de acordo com o estudo, 64% das empresas inquiridas consideram o low-code fundamental para tornar o desenvolvimento tecnológico mais eficiente e confiável. E 43% já utilizam low-code para o desenvolvimento de aplicações de negócio.

Em relação a Portugal, não foram encontradas diferenças significativas quando se comparam os resultados globais do estudo com a realidade nacional.

Para Rui Gonçalves, “a utilização do low-code tanto em Portugal como na Europa é muito heterogénea e diferenciada”. “O low-code está a ser usado não só para construir aplicações e soluções departamentais que digitalizam processos simples, mas também para a modernização e criação de soluções de nível empresarial, que automatizam processos core, mais complexos e exigentes ao nível de governação e controlo”, explica o responsável da KPMG Portugal, prosseguindo: “Neste momento, e apesar de haver ainda algum ceticismo em relação à utilização e aos benefícios do low-code por parte de muitos executivos, um dos principais dados do estudo refere precisamente que as plataformas de low-code ajudam as empresas a reduzir custos operacionais e a gerir melhor os seus processos internos.”

O partner de Technology Consulting da KPMG Portugal nota ainda a tendência para haver “cada vez mais empresas a experimentar a combinação de IA generativa e low-code para acelerar o ciclo de desenvolvimento de software e criar experiências personalizadas, envolventes e escaláveis”. E deixa a promessa de que a KPMG irá aprofundar este ponto na próxima edição deste estudo, que será lançada ainda em 2024.

Redução de custos e de atrasos são benefícios

No que diz respeito aos benefícios do low-code, o “Shaping the Digital Transformation with Low-Code Platforms” refere que, das empresas que já utilizam esta tecnologia no desenvolvimento de software e aplicações, 53% identificam reduções significativas nos custos de desenvolvimento e nos custos operacionais e 55% afirmam ter reduzido consideravelmente os atrasos nos seus planos de desenvolvimento tecnológico. “A tecnologia low-code tem ganho destaque, justamente como resposta para acelerar a transformação digital dos negócios e para lidar com mudanças rápidas nas necessidades e requisitos das empresas”, diz Rui Gonçalves. Segundo este responsável, “os benefícios da sua utilização são bem conhecidos: é mais rápido do que a codificação tradicional, é mais fácil de mudar e alarga a outros profissionais o espaço normalmente ocupado apenas por programadores profissionais, promovendo mais inovação, com maior agilidade, e espaço para melhoria contínua dos processos e aplicações”.

O futuro instala-se no Alentejo
"A tecnologia low-code tem ganho destaque como resposta para acelerar a transformação digital dos negócios e para lidar com mudanças rápidas nas necessidades e requisitos das empresas."

Low-code democratiza tecnologia

Neste contexto, Rui Gonçalves nota que “os programadores profissionais e engenheiros de software também utilizam low-code (43% utilizam frequentemente e 80% usam low-code algumas vezes) e cada vez mais empresas têm uma estratégia de adoção de low-code, que inclui a coabitação entre programadores profissionais e não profissionais no desenvolvimento e modernização de aplicações”. Ou seja, “no fundo, o low-code acaba por ser uma importante ferramenta de democratização do acesso à tecnologia, que contribui para reduzir drasticamente a dívida tecnológica e para a diferenciação das empresas no mercado através do aumento da velocidade na construção e implementação de aplicações sofisticadas de classe empresarial com uma UX/UI elegante”.

O responsável da KPMG Portugal, que conta com equipas multidisciplinares que trabalham diariamente com clientes em diversos setores e geografias em projetos de aceleração da digitalização e automação inteligente, não tem dúvidas de que “para que as empresas se mantenham competitivas, num contexto de desafios políticos, económicos, sociais e culturais, é fundamental que evoluam, inovem e adotem estratégias flexíveis e inovadoras no desenvolvimento tecnológico”. Para isso há uma série de medidas que as empresas devem adotar para seguirem na direção certa, “nomeadamente a aposta na transformação digital, que deve ser vista como uma prioridade”.

Transformação digital deve ser prioridade

Para Rui Gonçalves, o investimento nesta área deve incluir “a adoção de novas tecnologias, como a inteligência artificial, a análise de dados, a automação de processos, a IoT, entre outros”. Estes investimentos, diz, poderão levar “a ganhos de curto e médio prazo, através do aumento da eficiência operacional, melhoria da tomada de decisões e da criação de novas oportunidades de negócio”. É igualmente importante que as empresas “aprendam a ser ágeis e capazes de se adaptar rapidamente às mudanças no mercado e às condições externas”. “Isto pode significar a implementação de estruturas organizacionais mais flexíveis e processos de tomada de decisão mais ágeis, para as quais um bom modelo de governance terá um papel fundamental.”

Finalmente, para este responsável, a inovação ao nível do desenvolvimento de produtos e de serviços que possam estar adaptados às atuais e futuras necessidades dos seus clientes “será também um fator diferenciador que cada organização deve ter em conta no desenvolvimento do seu modelo de negócio”, conclui.

KPMG Portugal investe no low-code

A KPMG inaugurou recentemente um hub tecnológico em Évora, que pretende ser um centro de desenvolvimento de low-code de Portugal para o mundo.

Inaugurado em setembro, o hub de low-code em Évora foi “mais um dos vários investimentos que têm sido feitos em inovação e pretende ser um centro de desenvolvimento de low-code, de Portugal para o mundo”, afirma Rui Gonçalves, partner da KPMG Portugal. “Com este nosso hub, damos continuidade e reforçamos o trabalho que temos vindo a desenvolver e que passa por uma aposta forte na componente tecnológica da nossa oferta de serviços”, explica. Isto ao mesmo tempo que a KPMG aposta na “formação e na descentralização da operação”, com um investimento no Alentejo e no talento existente nessa região, “em estreita ligação às comunidades locais, nomeadamente através do PACT e da Universidade de Évora”, refere o responsável.

Rui Gonçalves conta que existem três pontos essenciais em que a transformação digital é fundamental e que as empresas portuguesas não poderão descurar: “A inovação, o talento, e a sustentabilidade.” Segundo o responsável da KPMG, num mercado muitas vezes sobrelotado, “é essencial o caráter diferenciador das organizações”. Isso consegue-se com inovação, seja no produto apresentado, nas soluções, na marca, no propósito, e não só. Neste contexto, “são as pessoas que fazem crescer uma empresa e a capacidade de recrutamento e de retenção do melhor talento é um fator de valorização fundamental”.

Por fim, a inclusão dos fatores ESG na estratégia tornou-se “crítica para o sucesso, com clientes, colaboradores, acionistas, fornecedores e bancos, agências de notação de rating e entidades reguladoras a exigir que as empresas tenham em consideração o impacto dos seus negócios no mundo, a sua contribuição para a sociedade e a sua conduta”. Por isso, a KPMG Portugal, com a sua “multidisciplinariedade, rede global e experiência internacional, é um parceiro das empresas neste seu caminho de transformação digital”, assegura Rui Gonçalves.